sexta-feira, 15 de julho de 2011
Por dentro do cinema de Poções
segunda-feira, 30 de maio de 2011
As legendas dos filmes
O Cine Santo Antonio foi o cinema que marcou época em Poções. Fisicamente, demarcava o final da parte larga da atual Av. Olímpio Rolim com o início da Rua Apertada, que era um funil até chegar na subida da Igreja. Além da exibição de filmes, vários artistas famosos se apresentaram no seu palco, a exemplo de Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Mauro Figueroa, Nelson Gonçalves e tantos outros. O Santo Antônio era administrado por Nicola Leto e Seu Vavá.
Era o tempo da transição do preto e branco para o colorido. Os cartazes dos filmes ficavam na praça. Quantos letristas tiveram a chance de desenvolver suas artes nos cartazes – quem não se lembra de Dida, Pinho, Bartola e Tena?
Além de obras de artes, os cartazes destacavam filmes famosos como O Dólar Furado (Giuliano Gemma), El Dorado (John Wayne – a gente lia Jovane), Ladrões de Bicicletas (de Vittorio de Sicca), Tarzan (de Edgar Rice Burroughs com Johnny Weissmüller), Maciste (Bartolomeo Pagano), Quo Vadis (Robert Taylor), Dio Come ti Amo (Gigliola Cinquetti) e tantos outros como Ursus, Hércules, Sansão e Dalila, O Mágico de Oz, sem contar os filmes da Paixão de Cristo exibidos na semana santa. Em um dos cantos do cartaz sempre estava escrito – Technicolor ou Cinemascope – o sinal do avanço tecnológico.
Normalmente, de segunda a sábado, as sessões eram apenas a noite – a chamada soirée. Domingo e feriado tinha também a matineé, onde muita gente aproveitou para começar a namorar naquela parte de cima que era chamada de camarote.
Falar de cinema em Poções, eu não posso esquecer Fidélis Sarno, o de Boa Nova, pela insistência na criação de estabelecimentos modernos a exemplo do Cine Jóia (onde hoje funciona o Bradesco) e Geraldo Sarno, um dos maiores cineastas brasileiros.
Do outro lado, na platéia, figuras marcantes como Lino Carregador e Seu Dôca viviam as cenas como se fossem reais. Mas acho que Luiz Schettini Barbosa, o Luiz Bosteiro, foi o mais importante deste segundo grupo. Apesar de não ser artista, nem fundador e cineasta, foi o responsável pelas maiores “artes” dentro do Santo Antônio. Um dia, a gente se encontrou na festa do Divino e ele contou algumas das muitas estórias engraçadas. Uma delas era sobre as legendas vivas.
Naquela época, antes do filme, era costume passar o jornal com as notícias da Luiz Severiano Ribeiro e os gols do Canal 100. A mesma fita passada na matineé era passada na soirée. Luiz assistia as duas sessões e gravava as imagens na cabeça. À noite, casa cheia, ele soltava as legendas.
Na primeira cena, o avião do presidente Castelo Branco chegava de uma viagem e a porta do avião se abria, aparecendo a imagem do presidente e, instantes depois, acenava para os que estavam em terra. Luiz aguardava a imagem do presidente e antes do aceno, gritava: “e aí Castelo, não vai falar com os pobres?. A mão do presidente acenava e a galera no cinema era um riso só.
Na segunda cena, já no meio do filme, Hercules fugia da perseguição de soldados dentro de um túnel. Ele para, olha para trás e continua a correr. Luiz fez a cena assim segundos antes da parada de Hércules, gritando bem alto: “Hércules, Hércules.....” depois que o artista para, ele volta a gritar: “Não é nada não, pode ir, pode ir...” Mais uma vibração do público.
Parte da história do cinema em Poções pode ser contada com passagens engraçadas como estas de Luiz e, sem dúvida, dos comportamentos de Lino e Dôca. Registro a lembrança do extinto cine Glória como uma evolução da época e o fim de um tempo substituído pelo vídeo-cassete e, mais recente, o DVD. Distante de um cinema, Poções pode contar com a contribuição do Tela em Transe para ter um cinema definitivo ou criar personagens como os citados acima.
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terça-feira, 10 de maio de 2011
Os Pássaros

Por Carlos Rizério
A minha mãe, Célia Rizério
Início de primavera em Poções. As andorinhas trissavam no azul escuro do céu de setembro. Com zelo e carinho, a mãe preparou os cinco filhos e os levou, pelas mãos, à tão esperada matinê de domingo no Cine Santo Antônio. D Célia havia olhado o título, e concluíra que seria um bom filme de aventuras, ideal para embarcar suas crianças em mais uma tarde cinemágica. Ao começar a fita, um ar de preocupação começa a rondar a mãe, o que ainda não era sentido pelas crianças, não iniciadas, nem tão vulneráveis como os adultos, ao clima provocado pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock.
Personagens surgem e se encontram em Bodega Bay, pequena cidade do litoral da Califórnia, lugar onde se desenrola a trama. À medida que o filme avança, um silêncio se apossa do cinema. A mãe pensa em sair, mas observa todo o envolvimento dos filhos e dos outros jovens com a história. Resolve ficar e mergulha, como todos ali, na magia da sétima arte. As cenas se sucedem num ritmo cadenciado, o lugar é misterioso, quase surreal. Sem motivo aparente, as aves começam a atacar a cidade em bandos cada vez mais numerosos, e depois recuam, e surgem novamente, ameaçadoras, determinadas a abater todos os que ali se encontram. Provocam pânico geral, dúvidas, fogo num posto de gasolina, atacam crianças numa escola, matam uma professora, um fazendeiro e finalmente, o clímax. Uma casa de madeira a beira mar, onde um grupo de pessoas, aterrorizadas, esperam o ataque final das aves, que avançam aos milhares, fazendo um barulho infernal, com bicos afiados como lâminas, a baterem nas paredes, telhados, portas e janelas. Na madrugada, uma trégua, silêncio. Rod Taylor, que faz o protagonista, abre a porta, bem devagar, e se depara com uma cena macabra: as primeiras e dramáticas luzes da alvorada revelam milhares de gaivotas e corvos, pousados em volta da casa, a ocuparem todos os espaços. Sai, em pequenos passos, cuidadosamente, até a garagem. Entra no carro, liga o rádio, ouve as notícias, volta e encoraja a todos a saírem e entrarem no veículo. Liga o automóvel e sai, em movimento reduzido, por entre milhões de aves, para então, tomar a estrada litorânea e sumir, deixando para trás a cidade entregue aos pássaros. Fim.
A maioria sai do cinema em silêncio. D Célia e os filhos, Carlinhos, Gina, Teca, Tinho e Nando, descem o Beco dos Artistas, atravessam a Praça Deocleciano Teixeira, passam pelo posto de gasolina de Miguel Labanca, percebem que não há ninguém, e seguem em direção à praça Góes Calmon. Ao chegarem à praça, onde moravam, tomam a direção da residência. A cidade estava calma, metafísica, era uma tarde diferente. Entram em casa, incólumes. Lá fora, pardais volteiam e pousam nos fios de tensão.
09/05/2011 (dia das mães)
Carlos Rizério, Filho e sobrevivente.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
A Volta de Tarzan
Por Lulu Sangiovanni
Essa história quem me contou foi Jorge Dantas (Jorge de Duca).
O filme TARZAN, O REI DAS SELVAS foi exibido por mais de uma semana no cine Glória de Poções. Como os filmes circulavam pelas cidades vizinhas, mandaram para Iguaí. Naquele dia, chovia bastante, o Jipe atolou e retornaram para Poções com o filme naquelas latas e dentro de um enorme saco.
O pessoal do cine Glória, simplesmente, manteve o filme, mudou o título do cartaz e anunciou: A VOLTA DE TARZAN. Cinema cheio, bilheteria esgotada e, de repente, os gritos da galera de - é roubo!!!, - devolva meu dinheiro!!! e um quase quebra-quebra.
Coisas de Poções…
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Comentário de Tuna Espinheira a Lulu Sangiovanni
Abs.
Tuna Espinheira
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Jovane
Por Lulu Sangiovanni
Vamos, portanto, às curtas histórias das nossas telas:
Quem é da minha época, sabe o que significa a expressão “Jovane”. Filme de caubói tinha que ser com Jovane pra ser bom. A expressão era a forma abrasileirada que nós dávamos ao americano Marion Morrison, cujo nome artístico era John Wayne.
Os cartazes anunciavam os filmes com a grafia correta do ator, mas a pronúncia era sempre Jovane, não tinha mais jeito de mudar.
Jovane nunca perdeu para Juliano Gema (Giuliano Gemma) na bilheteria.
Lulu Sangiovanni estreia coluna no Tela em Transe
Por Lulu Sangiovanni
Fábio me fez o convite para colaborar com o projeto do Cineclube Tela em Transe contando histórias do cinema de Poções. Fiz uma relação e não são tantas, mas existem. Vou pedir a ajuda de outros amigos para que me relembrem ou contem as histórias das três mais famosas telas e palcos que existiram em Poções: Cines Santo Antônio, Jóia e Glória.
A agonia das telas teve início quando se difundiu o video-tape. Veio o DVD e o golpe foi fatal. Hoje, só encontramos salas de cinema nas capitais e nos grandes shopping´s. Manter, portanto, o hábito de ir ao cinema é uma forma de cultura que é privilégio de poucos.
O projeto é um incentivo para que o cinema se mantenha vivo na nossa cidade. Não somente a projeção de bons filmes e o resgate das histórias ligados a ele são as suas propostas. É uma obrigação contribuir e trazer as lembranças para o papel, mesmo sendo um cinéfilo pouco praticante.
O Tela em Transe, portanto, é um privilégio para Poções, cidade que contribuiu imensamente para o cinema brasileiro com o brilhantismo dos seus filhos Geraldo Sarno e Tuna Espinheira, grandes cineastas.
Parabéns para o Cineclube Tela em Transe, nesses três anos de sucessos!!!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Minha primeira vez
Por Fábio AgraA memória que tenho daquele dia era a o medo e a curiosidade que se postavam em mim. Realmente não me lembro de muitas cenas, tampouco me recordo de ter visto o E.T. Mas uma cena nunca saiu da minha cabeça. Quando Eliott (Henry Thomas) vai até a floresta e joga alguns amendoins no chão para ver se o E.T aparece. De repente um senhor surge e faz com que Eliott se esconda. Fiquei apreensivo, na expectativa de que o E.T fosse aparecer ou então que aquele senhor, sem importância no filme, fosse uma espécie de vilão. Ficava perguntando ao meu pai – Ele (E.T) aparece agora? Meu coração disparava ao perceber que a qualquer momento surgiria na tela aquela figura monstruosa que minha imaginação dava conta de construir. Não sei em que momento parei de perguntar ao meu pai se era a hora de o E.T aparecer. Não sabia e nem tinha noção que naquele momento, em volta aos sentimentos de medo e curiosidade, estava nascendo também o gosto pelo cinema, a nostalgia de uma época. Estava escrevendo meu próprio roteiro, fazendo meus próprios enquadramentos de uma lembrança que não era de um filme que poucas cenas vêem à memória, mas do meu pai me levando ao cinema, ao saudoso Cine Glória.
Anos mais tarde, nos especiais de fim de ano da Rede Globo, eu acho que em 1989, a atração principal era E.T o Extraterrestre. O filme ia começar às 10 da noite, eu acho. Então, antes da ceia de natal, meus irmãos, uns dois amigos e eu nos amontoamos no quarto da minha avó para assistir a atração inédita. Não resistimos ao sono. A cena de Eliott jogando amendoim na floresta só vi novamente anos depois, verdade seja feita, era um tanto diferente do que a minha imaginação guardou, assim como todo o filme.